Uma ilusão chamada democracia

05/07/2021

Uma coisa que somente olhando a história vamos perceber. O Brasil nunca foi um país de democracia sólida. Historicamente temos um flerte com golpes institucionais e com anarquia governamental.

Quebramos o regime monárquico num golpe, que expulsou a família real do Brasil. Nosso primeiro presidente, Deodoro da Fonseca, renunciou ao cargo e seu vice deveria convocar novas eleições. Nunca fez. Floriano Peixoto governou sem eleição e somente não se perpetuou na cadeira presidencial, porque não havia clima, uma vez que poucos anos atrás um monarca havia sido arrancado do trono.

Depois vieram as eleições da velha república, todas cercadas de fraudes eleitorais que foram elegendo nomes alternados entre São Paulo e Minas Gerais. Mesmo em meio a isso não houve estabilidade. Em 1918, eleito, Rodrigues Alves, não tomou posse. Morreu antes. Tivemos mais um período de estabilidade alicerçados em fraudes até 1930 quando Júlio Prestes foi golpeado por Vargas.

Sem vencer uma eleição, Vargas ficou no cargo por 15 anos e então foi ele mesmo vítima de um golpe que o arrancou do poder. José Linhares assumiu e entregou para Gaspar Dutra, que devolveu para Vargas, até esse cometer suicídio em 1954.

Depois num período de dois anos tivemos três presidentes: Café Filho, Carlos Luz e Nereu Ramos. Em 1956 o Brasil reencontrava a estabilidade com JK, mas já com a chegada do sucessor, Jânio Quadros, voltamos a navegar em mares revoltos. Jânio renunciou, Ranieri Mazzili assumiu, com a ideia de transformar o Brasil em parlamentarismo. A ideia furou e João Goulart assumiu até ser expulso do cargo e do país 1964.

Ranieri assumiu novamente, entregou para os militares e mesmo eles não chegaram num consenso. Tanto é que Pedro Aleixo foi eleito em 1969, mas não teve direito a tomar posse e os militares seguiram até 1985.

Então apertamos o reiniciar e decidimos recomeçar, mas nosso presidente pós regime militar acabou morrendo antes da posse. Tancredo Neves é mais um presidente, que nem posse tomou. Então o cargo ficou com Sarney e logo ali novas eleições diretas e a estabilidade que esperávamos.

Nada disso, Color, eleito em 1990 caiu em 1992 e entregou o cargo para Itamar Franco, que ficou no cargo até 1994 e só então tivemos o primeiro período de estabilidade democrática com Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma.

Dilma interrompeu o que parecia ser uma estabilidade da nossa democracia e foi retirada do cargo sendo este entregue ao vice, Michel Temer, que entregou através de eleição, como manda a cartilha, para Bolsonaro.

Com uma história em que a estabilidade governamental nunca aconteceu de verdade, alguém ainda se surpreende com os pedidos de saída de Jair Bolsonaro? E mais do que isso, alguém se arrisca a garantir que o presidente atual não será mais um com mandato abreviado nos livros de história?