O MDB estadual e o MDB de Tenente Portela

14/07/2022

O maior partido do estado em número de filiados nunca foi muito unido e uniforme, mas nunca esteve tão rachado como atualmente. De norte a sul do Rio Grande, o partido está puxando para lados distintos.

Se o partido gaúcho ceder a pressão e aceitar coligar com o PSDB de Eduardo Leite, vamos testemunhar a maior debandada partidária da história da sigla de Pedro Simon.

Nas eleições de 2018, sejamos justos, o partido estadual já abandonou a candidatura presidencial de Henrique Meirelles, no entanto, se manteve firme em torno do nome de José Ivo Sartori. Agora a situação é outra e os infiéis podem abandonar também a sigla em nível estadual.

Se Gabriel Souza não empolga como candidato à governador, vai empolgar ainda menos como vice de Eduardo Leite. Sem um candidato em cabeça de chapa, a tendência é de que a base do MDB se sinta livre para buscar outro candidato.

O MDB nunca pode ser descartado numa corrida ao Piratini, e mesmo Souza poderia criar corpo, se o partido conseguisse unir a base em torno de seu nome, no entanto, será difícil convencer os filiados a segui-lo numa possível indicação para vice.

Vide o exemplo de Tenente Portela, onde o MDB se apequenou aceitando uma candidatura de vice do PP, numa ânsia de chegar no poder a qualquer custo, e fracassou de maneira bisonha e histórica, rendendo um prejuízo eleitoral muito difícil de ser contornado.

Um partido com a tradição e o tamanho do MDB não pode se contentar com o posto de vice. Seus eleitores não aceitaram em Tenente Portela e não aceitaram no Rio Grande do Sul.