O fracasso de Bolsonaro

11/06/2020

Imagem: Gabriela Biló / Estadão Conteúdo
Imagem: Gabriela Biló / Estadão Conteúdo

Estou longe de ser um bolsonarista, mas me acho no direito de fazer análises de seu governo por dois motivos: primeiro porque o blog é meu e escrevo o quero (risos), segundo porque fui uma das primeiras pessoas a dizer que Bolsonaro seria presidente.

Em 2013 escrevi um texto em que dizia que Bolsonaro, um deputado ainda pouco conhecido do Brasil, seria um nome relativamente importante nas eleições de 2014, caso se candidatasse a presidente. Depois das eleições de 2014 escrevi uma nova coluna e repeti minha previsão: Bolsonaro poderá ser presidente do Brasil muito em breve.

A razão dessa minha convicção era muito simples: o Brasil começava a cansar do PT e de algumas mazelas históricas que ninguém resolveu. O discurso de Bolsonaro era reflexo dos discursos que eu via nas ruas e nas redes sociais. Nenhum político terá mais sucesso nas urnas do que aquele que fala o que o eleitor quer ouvir.

Depois da eleição do Bolsonaro, sempre vi seu governo com desconfiança, não é mérito dele, vejo todos os políticos com desconfiança, pois o político trabalha com o poder e como alguém disse, o poder é sempre perigoso, pois atrai o pior e trai o melhor.

Para mim o governo Bolsonaro tinha um grande diferencial, algo que mesmo desconfiado, me deixava muito esperançoso: um ministério montado basicamente por técnicos. Isso é precioso, pois, quem me lê e me ouve, sabe o quanto defendo que pessoas capacitadas ocupem cargos de ministério ou secretarias.

Perdi essa esperança. Não pelos motivos que tem levado muitos a se decepcionar com o nosso presidente, mas pelo fato de que em uma pasta como a saúde, mais do que essencial em um país como o Brasil, e em um momento impar de nossa história, ele mantém um militar no comando e não um técnico, que era o que me deixava esperançoso no seu governo.
Bolsonaro fracassa, em minha opinião, exatamente no ponto em que deveria triunfar.