A Cloroquina precisa ser decisão científica e não politica

11/04/2020

Foto; Reprodução
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Você lembra da fosfoetanolamina? A milagrosa pílula do câncer? Um remédio criado no final dos anos 80 que teria o poder de curar uma das doenças que mais mata no mundo. Em 2015 a pílula virou assunto popular e apesar de inúmeros estudos que foram realizados nos últimos 25 anos que não conseguiram comprovar a sua eficácia, eis, que alguns políticos a colocaram debaixo do braço e passaram a defende-lá com unhas e dentes.

O próprio Bolsonaro foi um daqueles que lutou pela aprovação da liberação do uso do produto contra as indicações da Anvisa e da própria USP, instituição que produzia a pílula do câncer. A Universidade em meio a decisões da justiça que a mandava entregar o produto e temendo processos por efeitos colaterais posteriores, chegou a fechar os seus laboratórios.

O novo medicamento mágico é a Cloroquina. A cura para o Coronavírus. E mais uma vez as discussões não estão no campo cientifico e sim no campo político. O Brasil que já foi dividido entre coxinhas e mortadelas, bolsonarista e lulista, esquerda e direita, agora se divide entre os com Cloroquina e os sem Cloroquina.

A comunidade cientifica, aquela que vem estudando os efeitos do medicamento e seus usos, é unanime em dizer: "é possível, mas precisamos testar em ambiente controlado e com muita atenção. Os efeitos colaterais podem ser graves."

Os leigos defensores são mais enfáticos. Cloroquina cura coronavírus, eles dizem. Um médico de São Paulo falou. Sempre tem um médico de algum lugar que falou e testou esse tipo de medicamente para respaldar essas opiniões.

Liberação de medicamentos não é coisa de político e sim de cientista pois, a ciência precisa de prova, contraprova, testes e contra-testes enquanto a política por outro lado só precisa de meia dúzia de palavras e um grupo que acredite.